ainda não sei direito porque cargas d’água inventei de adentrar às lojas americanas (vulgo “lojas”) neste sábado de aleluia e de calor infernal! sábado também de judas, de praia, e mais: de liquidação de ovos de páscoa, meu deus (se arrependimento matasse, provavelmente não estaria aqui pra contar essa história)! mas o fato é que precisava (ênfase nesse verbo) comprar certas coisinhas para minha residência manter uma mínima dignidade para receber visitas.
enfim, à porta da loja não se percebia nem se via grandes tumultos, então aparentemente sociável para uma compra brejeira num sábado de feriado (aleluia!). mas eis que essa calmaria era pura ilusão… de repente, começou uma gritaria vinda não sei de onde: “baixaram os preços! ovos tais e tais a R$14,90! é pra quem chegar primeiro! corre lá!” – e repetia: “é pra quem chegar primeiro!” pronto, bastou isso para que uma multidão advinda sabe deus de que lugar, não apenas literalmente corresse, como desse saltos ornamentais (à la “dos santos”) para conseguir chegar primeiro – e, claro, se esbofetear pra pegar um ovo e garantir uma páscoa doce e plácida (repito: plácida!). lógico, quem estivesse no meio – na frente, de lado, o que fosse – seria devidamente esmagado e por uma causa justíssima.
resultado: garota esperta que sou, fiquei de longe só olhando a grande confusão e obviamente dando gargalhadas por dentro – mas educadamente contida – de ver tamanha animosidade por conta de um ovo provavelmente “chôco”, quebrado e esmilinguido – já que era sábado (depois dessa cena, sem aleluia e sem glamour), e quem escolheu antes seu ovo de chocolate escolheu o melhor - dizem as más línguas. eu, sinceramente, dou de ombros – nem gosto tanto de chocolate assim! (mentira!)
bom, minha verdadeira intenção quando comecei a escrever era mesmo falar da origem dessa preciosidade que é o chocolate – a revista de história da biblioteca nacional deste mês traz uma matéria interessantíssima sobre o tema -, mas acabei me perdendo por outros caminhos, e o assunto me foi parecendo careta demais diante de uma multidão se estapeando por algumas dúzias de ovos de páscoa num sábado teoricamente de aleluia. afinal, convenhamos, falar do ser humano é, sem discussão, insuperável.
